John Green, Mil Vezes Adeus 

   Aza vive presa dentro de si própria. Batalha diariamente contra um distúrbio mental que a impede de viver normalmente, asfixiando-se com uma espiral de pensamentos que não consegue controlar. Apesar de ter amigos, raramente fala e sente que a sua vida é um filme sobre si própria ao qual ela só pode assistir, sem a possibilidade de o representar. 

   Davis é filho do bilionário Russell Pickett, diretor-executivo da maior empresa de construção civil de Indianápolis. Apesar de ter tudo o que poderia desejar, a vida ocupada do pai faz com que se sinta terrivelmente só, refugiando-se na poesia e na astronomia.

   E a verdade é que, em tempos, Aza e Davis já fizeram parte da vida um do outro, devido a circunstâncias infelizes. Nenhum deles esperava que os seus destinos se tornassem a cruzar: especialmente por causa de uma recompensa de cem mil dólares pelo paradeiro do foragido Russell Pickett. 

   Espera-os uma aventura inesquecível onde medos, perguntas sem resposta e muitas divagações serão o prato do dia. 

   Desde já, devo admitir que devorei este livro num dia e meio e julgo ter encontrado o meu livro favorito. Digo-vos também que não recomendo esta leitura a toda a gente. Passo a explicar porquê. 

   Mais de metade do livro retrata Aza e os seus demónios invisíveis. Para quem não sofre – ou já sofreu – de algum problema semelhante, a sua torrente de pavores e ideias irracionais poderá soar extremamente ridícula e exaustiva. No entanto, aqueles que se identificarem encontrarão nas palavras de Aza um espelho, uma vez que o próprio John Green sofre deste transtorno. E é tão, mas tão importante que este tema, ainda tão denegrido e ignorado, seja debatido abertamente e de forma acessível ao público de todas as faixas etárias… 

   Passo a citar uma passagem deste livro que, pelo menos a mim, me enche de poder: 

Eu sou o meu caminho, não a minha vontade“. 

   Encorajo todos aqueles que quiserem contactar com uma realidade pouco familiar a lerem este livro. É realmente qualquer coisa de espantoso! 

 

Diana Oliveira (dezembro de 2018)