John Green, Cidades de Papel 

   As suas vidas aparentemente desencontradas tornam a entrelaçar-se quando, certa noite, Margo surpreende Quentin à janela do seu quarto, arrastando-o para uma louca aventura vingativa. Após uma noite inesquecível com a rapariga que lhe revira o estômago, Quentin mal cabe em si de esperanças. Contudo, a ânsia não tarda a transformar-se em ansiedade, quando Margo desaparece misteriosamente, deixando para trás apenas uma série de pistas abstratas. 

   É então que Quentin percebe que o mistério não é: “Onde está Margo Toth Spiegelman?”, mas sim: “Quem é Margo Roth Spiegelman?”

   Durante esta leitura, dei comigo a descobrir toda uma Amazónia de mensagens subliminares. As ações das personagens poupavam parágrafos inteiros de reflexões profundas. Embora existam inúmeras mensagens, destaco aquela que me marcou mais: a distorção com que vemos as outras pessoas. 

   É comum idolatrarmos os outros. Pensamos, quase inconscientemente, que não são pessoas reais. Vemos apenas imagens perfeitas e inabaláveis e, no fundo, acabamos por ver as pessoas apenas desse modo: como um mero conjunto de reflexos idealizados. Esperamos dos outros o que esperaríamos de nós. Sonhamos com réplicas da nossa mente. Sonhamos que as pessoas sejam aquilo que nós vemos. E oh, que receita perfeita para desilusões de todo o tamanho… 

   Partilho convosco esta frase presente no livro: 

“Que coisa traiçoeira é acreditar que uma pessoa é mais do que uma pessoa!” 

   Penso que todos os adolescentes deviam ler este livro, porque estão aqui verdades sobre a natureza humana que nos serão úteis para toda a vida. 

Diana Oliveira (dezembro de 2018)